Você é desafiado ou desinteressado?

Minha trajetória de aprendizado e alguns toques para te ajudar a construir seu castelo de conhecimento



 

Nunca fui um bom aluno. Sempre empurrei a escola com a barriga e, após 13 anos sendo obrigado a aprender diariamente e de forma exaustiva o que não me interessava e de um jeito que, para mim, não funcionava, passei a acreditar que ganhar conhecimento era a coisa mais chata que existia.

Na minha turma, lembro que apenas 10% dos alunos ficavam realmente interessados na aula. Penso que isso é uma consequência do método de ensino, ainda atual: excesso de alunos, esgotamento mental e físico dos professores e cada um por si, onde aprende quem quer (e pode).

Eu, introvertido, não tinha tantas pessoas como hoje para me mostrar que estava perdendo tempo ao não assimilar nada e, também por isso, demorei anos para retomar o gosto pelos estudos.

Não quero aqui criticar a escola, mas sim, o sistema em que ela está inserida e que não ajuda nem alunos, nem professores. A minha utopia é o professor conseguir guiar o aluno individualmente, vendo de perto dificuldades, sonhos e interesses e criando uma grade curricular diferenciada e personalizada. Esse pensamento é confrontado com a realidade: suponhamos que existam quatro turmas por série e 40 alunos por sala; ou seja, 160 alunos por série. Além disso, a remuneração desses profissionais é baixa e faz com que muitos precisem trabalhar em mais de uma instituição. Ou seja; é impossível, nessas condições, que o aluno seja acompanhado individualmente. Ao professor, resta jogar o anzol e torcer para que, dentre aquelas centenas de alunos, alguns se interessem pela isca do saber, enquanto os desinteressados, no futuro, sofrerão os efeitos pessoais e profissionais.

 

Já aos fins de semana, o meu desinteresse ficava de lado. Ia para a casa do meu pai e, rapidamente, ele prendia a minha atenção, com perguntas, como: “você sabe como foi a segunda guerra mundial?”. A partir do meu “não”, ele pegava o mapa mundi na estante, se sentava ao meu lado e explicava sobre a ascensão nazista, as grandes batalhas e as estratégias das tropas, o Dia D, os kamikazes, os campos de concentração, a União Soviética, as bombas nucleares…

Eu ficava atento e impressionado com todas aquelas histórias, e me sentia confortável em absorver aquele conhecimento; era um ambiente em que eu conseguia romper a timidez, pois havia confiança e a certeza de que eu não sofreria bullying ou repreensão por qualquer pergunta que fizesse. Apesar desses momentos serem raros, compreendi muito mais sobre as guerras naquelas duas horas do que em três meses letivos, e foi aí que eu aprendi a primeira grande lição: existe uma grande diferença entre você querer aprender e ser obrigado a aprender.

Meu ritmo de aprendizado era diferente da escola, cabendo a mim (e a você que está passando por isso agora) construir esse interesse com as próprias mãos.

 

 

E como despertar interesse pelo conhecimento?

Essa é uma busca individual, pois cada um tem seu tempo e forma de instruir-se. Hoje temos a internet, que têm muitos canais interessantes, com diversos conteúdos e que podem ser escolhidos de acordo com o seu gosto, mas, na minha época, ela não era tão acessível e vasta assim.

O que me moveu, na verdade, foi um desafio.

Em um debate com um colega, criacionista, tive meus argumentos contrários refutados e, para contestá-lo mais tarde sobre o assunto, aprendi sobre seleção natural (por vontade própria), lendo e assistindo documentários. No fim das contas, achei o assunto tão interessante que comecei a compartilhar, do meu jeito, esse conhecimento com os meus amigos.

O meu jeito engraçado de explicar fazia com que eles quisessem ouvir mais e, nessa fase, percebi algo: me tornei uma pessoa mais interessante. Ao invés de ser aceito por piadas bobas, fui aceito por ensinar coisas e, como colega, ofereci muito mais do que antes. Motivado pelo ego “massageado”, comecei a estudar a física de Einstein, teoria geral da relatividade, história… E conseguia entender!

– Eu não sou um idiota. Consegui entender a distorção do espaço-tempo de Einstein!

E aí, veio a segunda lição: todos temos a mesma capacidade de aprender, mas depende do quanto queremos isso.

 

Mudando o comportamento para ser desafiado, e não desinteressado

A terceira lição é mais direta e sintetiza as anteriores: seja um desafiado, não desinteressado.

É triste ouvir “ah, eu não sei nada sobre esse assunto” e ficar por isso mesmo. Chamo tal comportamento de desinteressado, o que, para mim, é a pior maneira de levar a vida; sem vontade de ganhar novas ideias e acreditando que é incapaz de mudar isso.

Tive um chefe que sempre me chamava a atenção pelos erros de português nos e-mails que mandava para os clientes. Lembrava de quando na escola pensava “para que saber português? O que quero fazer é desenhar mesmo…”. Ah, que vontade de embarcar em uma máquina do tempo e dar uns tapas na minha cara…

Comecei a entender, tardiamente, que as matérias que eu negligenciei apareceriam na minha vida adulta como assombrações, cobrando o preço por não as ter aprendido.

Mas, falemos do comportamento oposto e que desejo incentivar nesse texto.

O desafiado é aquele que não se dá por vencido ao ser confrontado com uma informação que não sabe responder. É quem, ao invés de dizer “não sei” e levar a vida, pesquisa o conteúdo e tenta compreender o conteúdo.

Hoje a informação está na sua mão, no seu celular. USE-O. Corra atrás das respostas. Pense: “como assim eu não sei isso? Eu preciso saber isso!” e lembre-se que quando você se valoriza, valoriza também seu intelecto.

Eu, você e nós temos a mesma capacidade cerebral. A diferença é: você quer ou não quer aprender?

Se você quiser, te ajudo com um método que uso até hoje para virar esse jogo.

 

Método dos tijolos: um aprendizado por dia

Se você tentar apenas memorizar o que precisa um dia antes da prova, pode até tirar uma nota boa, mas vai esquecer tudo no dia seguinte. O melhor método, não só para a prova, mas para a vida, é saber mais sobre algo um pouco por dia e assimilar que a trajetória de estudos começa na escola, mas está além dela.

Conhecer uma palavra em inglês nova por dia pode parecer pouco, mas de palavra em palavra, de tijolo em tijolo, é construído um lindo castelo.

Tente enxergar o aprendizado como um processo de longo prazo e seja paciente: sem afobação por querer saber tudo e sem desistência por alegar não saber nada.

Para exemplificar: quanto mais tijolos, maior o castelo. Quanto mais pontos, mais níveis são alcançados e melhores nos tornamos.

Por isso, deixo outra reflexão: é bom ganhar XP no vídeo game, mas também é bom ganhar XP na vida.

Esses foram meus conselhos para você, que pode estar passando por uma situação parecida ou ter se identificado como um desinteressado. Percorri um longo caminho para aprender essas lições, cuide delas com carinho!

Se você vivesse por 5 mil anos, qual seria a sua religião?